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História


Quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil no ano de 1500, a Mata Atlântica se estendia por todo o litoral Brasileiro – e em alguns pontos chegava a entrar até mesmo para o interior– numa extensão territorial de  mais 1,3  milhão de km2. Tamanha exuberância revelava o esplendor da biodiversidade e do ecossistema que tomavam conta do País.

Hoje, restam apenas 7% deste total, a maior parte dela no sul da Bahia. Só nos últimos 10 anos, entretanto, cerca de 11% da Mata Atlântica foi devastada nesta parte do Brasil. Isso se deve à crise do cacau nos idos de 1989 por problemas como queda de preço e contaminação pela vassoura-de-bruxa. Para se ter uma idéia, o preço da tonelada do produto que chegou a ser cotado a quase U$$ 5.000,00 na década de 1970, no início dos anos 1990 era cotado a U$$ 600, 00, isso sem levar em conta a desvalorização do dólar neste período.

A fartura de outrora dava lugar a uma série de dificuldades para os produtores locais. Os trabalhadores imigravam em massa para outras regiões e um tipo de comércio, que não existia na área, começava a surgir: a serraria. Assim, a Mata Atlântica, antes preservada pela cultura “Cabruca” –  na qual se limpa arbustos e matos, mantendo as árvores grandes para dar sombra aos cacaueiros  – ia sendo devastada diariamente, de forma massiva.

Cabruca

Ao contrario dos demais tipos de plantio, as amêndoas de cacau precisam de sombra vegetal para seu crescimento. Desse modo, quase todo o plantio de cacau na região sul da Bahia foi feito pelo sistema conhecido como "cabruca”. O cacau, natural da floresta Amazônica, adaptou-se muito bem no sul da Bahia, por seu clima e sua terra, e acumulou anos crescendo e se desenvolvendo com os altos preços alcançados pelo mercado internacional. A prática da cabruca manteve, por muitos anos, a Mata Atlântica preservada na região.

Antes, nenhum produtor admitia que suas árvores fossem derrubadas. No entanto, com a grave crise do cacau na região, as serrarias começaram a chegar e prosperaram por mais de uma década, até serem definitivamente proibidas no começo dos anos 2000. De qualquer forma, ainda há extração irregular da madeira, em menor escala, e comercialização ilegal.

É neste cenário, originalmente rico em biodiversidade, que surgiu a Camacã Design em Madeira, uma empresa com responsabilidade social e ecológica, que tem por objetivo manter a preservação da Mata Atlântica por meio de seu trabalho com madeira morta e recuperar o cultivo do cacau, com a prática da cabruca.

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